Pular para as notícias
Edição nº 7São Paulo · 9 min de leitura

Flávio e Lula fazem na Globo o último debate antes do 2º turno, a Tractian vira o novo unicórnio brasileiro e a vacina da Moderna contra o melanoma reduz em 42% o risco de morte.

Destaques

Brasil

No último debate antes do 2º turno, Flávio e Lula adotam tom mais moderado na Globo, mas terminam em troca de ataques

Flávio Bolsonaro, de terno escuro e gravata azul clara, faz o V da vitória com as duas mãos ao lado de Lula, de terno preto e camisa branca sem gravata, que faz sinal de positivo com os dois polegares, num estúdio azul com o logotipo da Globo e a palavra eleições ao fundo
Fernando Frazão / Agência Brasil

Na noite de ontem, Flávio Bolsonaro e Lula participaram do debate da Globo e ficaram cara a cara pela segunda e última vez nestas eleições antes da votação de domingo.

🎪 Eles transformaram em circo de novo? Um pouco menos dessa vez... O modelo do debate da plim-plim forçou que as perguntas mirassem temas práticos e tivessem algumas propostas como respostas — mas não tantas também, não se empolgue.

Além disso, as próprias campanhas perceberam que deveriam ativar o modo “moderado”. Flávio treinou com Tarcísio e não com Marçal, enquanto Lula não levou nomes mais digitais e jovens de sua campanha.

Início do jogo

A pergunta inicial foi sobre infraestrutura e exportação. Com acusações de obras inacabadas entre os dois candidatos, Flávio disse que vai “rasgar o país de ferrovias”, enquanto Lula listou os projetos do seu governo, de estradas a portos.

No momento das regiões, o Sudeste foi sorteado, e Lula questionou sobre salário mínimo e tarifa zero aos finais de semana — proposta com a qual Flávio concordou. O senador fez críticas ao custo de vida e disse que Lula “dá com uma mão e tira com 9 dedos”.

O presidente cobrou um pedido de desculpas, e Flávio se desculpou. Nesse momento, Flávio reforçou a estratégia de fazer um debate mais moderado.

No Centro-Oeste, Flávio acusou Lula de ser inimigo do agronegócio. Já no Norte, defendeu melhorias no saneamento e, no Nordeste, disse que a região está tomada por facções criminosas.

  • Depois de Lula insistir para a audiência dar um Google nas informações, o senador elevou um pouco o tom e perguntou: “Quem governa o Brasil, você ou o Google?”.

Do outro lado, Lula ressaltou o volume de crédito para produtores rurais, enfatizou o potencial da economia verde na região Norte e fez comparações entre o passado e o presente da região Nordeste.

Depois dos intervalos

No segundo e terceiro bloco, Flávio enfatizou o endividamento da população e lembrou a posição favorável de Lula em relação à saidinha. Do lado do petista, o presidente defendeu o fim das bets e relembrou o caso da morte de Ana Clara.

  • O policial militar acusado de matá-la em 2021 foi defendido por Flávio como advogado. Quando Flávio foi se dirigir à mãe de Ana Clara, que foi ao debate com a campanha petista, ele a chamou pelo nome da própria filha falecida.

Mas não teve gafe só do Flávio. Antes do último bloco, Lula cometeu um ato falho ao dizer que pretende "acabar com a polícia" — querendo dizer “milícia” — depois de aprovar a PEC da Segurança e criar o Ministério da Segurança Pública.

Depois virou briga de rua 🥊

Na parte final, com temática livre, aconteceu o inevitável: ataques e acusações em sequência. Lula mencionou os R$ 134 milhões ao filme “Dark Horse” e a disputa de uma ilha envolvendo Willer Tomaz, amigo do senador, e o jogador Richarlison.

Flávio não respondeu diretamente e devolveu as acusações, citando que Vorcaro teria comprado um uísque Macallan 1945 — avaliado em cerca de R$ 500 mil — para presentear Lula. O senador também voltou a fazer acusações relacionadas ao Lulinha e à Roberta Luchsinger.

Ok… Mas quem venceu então?

Esse é o tipo de pergunta que seu amigo de um lado responde uma coisa e do outro responde outra. Mas a verdade é que mais importa vencer novos votos do que vencer o debate em si. Em outras palavras, a grande resposta vem no domingo.

Economia

Tractian recebe US$ 130 milhões, vale US$ 1,4 bilhão e vira a maior startup de IA da América Latina

Três jovens posam atrás de uma mesa de madeira com sensores industriais e um celular, diante de uma parede de telas com gráficos e painéis de monitoramento
Divulgação

A Tractian é o mais novo unicórnio brasileiro — ou seja, acabou de ultrapassar US$ 1 bi de valor de mercado antes mesmo de chegar à Bolsa. A empresa de AI recebeu um investimento de US$ 130 milhões, que avaliou a companhia em US$ 1,4 bilhão — cerca de R$ 7 bilhões.

Seu valor de mercado não só ultrapassou US$ 1 bilhão, como ela também se tornou a maior startup de inteligência artificial da América Latina.

Talvez você nunca tenha ouvido falar dela, mas a empresa foi fundada por três brasileiros e é especializada em sensores com AI que monitoram o funcionamento de máquinas em indústrias.

Pode parecer um trabalho complexo, mas a ideia por trás é simples: evitar que as indústrias percam dinheiro ou tempo com paralisações não planejadas para arrumar os equipamentos das fábricas.

  • Estima-se que essas pausas não antecipadas custem cerca de US$ 1,4 trilhão ao ano para as 500 maiores indústrias do mundo.

Os US$ 130 milhões recebidos serão investidos em pesquisa e desenvolvimento nos próximos cinco anos. Parte do capital deve servir para treinar modelos de AI e comprar processadores da Nvidia.

A empresa já possui alguns escritórios espalhados pelo mundo, com metade da receita vindo dos EUA e do México. A ideia agora é continuar crescendo nos Estados Unidos e acelerar a expansão na Europa.

🇧🇷 A nova rodada é uma demonstração do crescimento de empresas desde o boom da AI. Outro exemplo nacional é a Enter, companhia de inteligência artificial do setor jurídico, que também se tornou um unicórnio no início do ano.

Mundo

Vacina personalizada da Moderna, combinada ao Keytruda, reduz em 42% o risco de morte ou de volta do melanoma

Fileiras de tubos de ensaio com tom azulado e uma pipeta pingando uma gota, em primeiro plano, diante do logotipo vermelho da Moderna sobre fundo azul-claro
Dado Ruvic / Reprodução

O que uma vez já pareceu muito distante, hoje parece cada vez mais próximo. A Moderna, aquela empresa da vacina da Covid-19, está caminhando para desenvolver uma vacina contra o câncer.

Um novo estudo da empresa combina uma vacina contra a doença e um imunoterápico muito conhecido. A junção das duas coisas reduziu em 42% o risco de morte ou de retorno do melanoma — o tipo mais agressivo de câncer de pele.

O resultado vem de um estudo fase 3, com mais de 1.100 pacientes. Essa é a última etapa de testes antes do pedido de aprovação do medicamento.

O que essa vacina tem de diferente? Ao invés de prevenir a doença, ela é fabricada sob medida para tratar especificamente um tumor que o paciente já possui.

  • Junto com isso, a pessoa toma um imunoterápico muito popular chamado Keytruda — que basicamente desarma o tumor para permitir que células de defesa o ataquem.

Além de redução do risco de morte, a combinação também diminuiu em 38% o risco de o câncer se espalhar para outros órgãos.

📊 A reação do mercado: Esses dados seriam apresentados hoje em um congresso, mas foram vazados antes. Apesar do bom resultado, as ações da Moderna apresentam uma queda de cerca de 15% desde a divulgação. O mercado tinha expectativas maiores em relação ao medicamento.

Apesar disso, esse é o primeiro estudo desse porte a mostrar que uma vacina do tipo, com um remédio que ajuda o sistema imune, consegue manter a doença sob controle. Segundo a Moderna, a expectativa é que a vacina chegue ao mercado em 2027.

Brasil

1 notícia

As notícias de Brasil desta edição estão nos Destaques.

Mundo

3 notícias

Israel prepara operação na Cisjordânia, diesel russo a caminho dos EUA, Reino Unido pede estoque de emergência e trégua negociada por Melania

Benjamin Netanyahu, de cabelos grisalhos, terno azul-marinho e gravata vermelha, segura um microfone e levanta uma das mãos, cercado por policiais de boné em um ambiente fechado e movimentado
Amir Cohen / Reuters

Um giro pelas principais notícias deste sábado:

Cisjordânia em alerta. Netanyahu mandou o exército se preparar para uma operação de larga escala na Cisjordânia ocupada, depois que dois soldados israelenses e dois palestinos morreram numa troca de tiros perto de Hebron. O premiê também prometeu demolir casas. Tudo isso a quatro dias das eleições em Israel.

Diesel na eleição. Trump fechou um acordo com Putin para baratear o combustível, e o primeiro petroleiro com diesel russo já está a caminho de Nova York. A duas semanas das eleições de meio de mandato, quase 80% dos americanos culpam o presidente pela alta dos custos.

Chá, biscoito e lanterna. O governo britânico pediu que as famílias tenham em casa suprimentos para três dias de emergência — como água, comida e lanterna. Londres citou a falha no software PHP desta semana e o verão recorde de calor e incêndios como razões para o estoque de suprimentos.

Trégua de primeira-dama? Melania Trump negociou um cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia na cidade de Oleshky, ocupada pelos russos, com início em 29 de outubro. A pausa deve permitir a entrada de ajuda humanitária e a retirada de moradores — que têm comido ervas daninhas para sobreviver.

Atualizaçãoda edição nº 2, 19 de out.

França põe 70 mil policiais nas ruas para nova onda de protestos, que termina com quase mil presos

Sábado tenso na França. O governo vai colocar 70 mil policiais nas ruas hoje, dia de uma nova onda de protestos contra cortes no orçamento e contra a alta do custo de vida. Na mobilização anterior, que reuniu 500 mil pessoas, mais de 2 mil foram presas e duas morreram.

Economia

2 notícias

Warhound, dos fundadores da Colossal e da Anduril, levanta US$ 200 milhões para criar cães geneticamente modificados

Ilustração de cinco cães com aparência de pastor, lado a lado num deserto, usando óculos de proteção e coletes táticos, um deles com a inscrição K9 UNIT, sob a palavra WARHOUND em letras brancas gigantes
Warhound

O que acontece quando você junta o dono de uma empresa de edição genética e o founder de uma empresa de defesa militar? Nascem cães modificados e preparados para combater o crime.

Parece filme de ficção, mas esse é o objetivo da Warhound — empresa que acabou de se tornar pública com um aporte de US$ 200 milhões.

Por que eles querem fazer isso? Nos EUA, mais de 80% dos cães das forças armadas vêm da Europa e menos da metade está pronta para os serviços necessários. Somado a isso, muitos deles não terminam o treinamento porque possuem predisposições hereditárias e desenvolvem doenças.

🧬 De um lado do novo projeto está o fundador da Colossal, empresa de edição genética — sim, aquela que tenta trazer mamutes de volta para a vida. A equipe dele estudou diferentes raças de cachorros e editará os genes dos cães para terem uma performance melhor nas atividades.

🪖 Do outro lado do projeto está o fundador da Anduril, empresa de defesa militar. Ela será responsável por fornecer tecnologia, coletes e óculos de proteção para os cães.

Um dos sócios disse que o primeiro lote de cães está prestes a ser clonado e incubado. Os nascimentos estão previstos para o começo do próximo ano e o início das atividades em 2028.

Quanto vão custar os supercães? A Warhound ainda não sabe quanto cobrará por eles, mas espera vendê-los para equipes de primeiros socorros, grupos de serviços militares e forças policiais. Se você ouvir um superlatido, já sabe de onde veio…