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Edição nº 16São Paulo · 6 min de leitura

Leo’s Journal, edição nº 16, segunda-feira, 2 de novembro de 2026

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Tusk afasta o chefe do Tribunal Constitucional e a Polônia vai às ruas, a Chilli Beans pede recuperação extrajudicial e a Venezuela quer privatizar estatais.

Destaques

Mundo

Tusk afasta o presidente do Tribunal Constitucional, Nawrocki cancela viagem e milhares de poloneses vão às ruas

Manifestantes com bandeiras brancas e vermelhas da Polônia gritam e erguem os braços junto a uma grade de ferro, enquanto policiais de capacete branco e escudos fazem um cordão do outro lado, num parque com árvores de outono
Al Jazeera | Reprodução

O governo da Polônia enfrenta uma de suas maiores crises institucionais por conta da Suprema Corte do país. Com milhares de poloneses tomando as ruas nos últimos dias, a polícia precisou reforçar a segurança em Varsóvia.

Explicando. No fim da sexta-feira, o primeiro-ministro Donald Tusk afastou o presidente do Tribunal Constitucional, Bogdan Święczkowski, e o vice dele. O motivo foi que Święczkowski barrou a posse de um novo juiz, indicado por Tusk e aprovado pelo Parlamento.

Assim que soube do afastamento, o presidente Karol Nawrocki cancelou uma viagem à África e foi direto ao tribunal. Ele confrontou o premiê, que rejeitou qualquer acordo e disse que "a Corte vai funcionar de forma independente".

A relevância por trás. A Polônia faz fronteira com a Ucrânia e enfrenta a ameaça de uma escalada da guerra, que dura mais de quatro anos. Com eleições parlamentares marcadas para 2027, o desfecho da crise pode pesar no papel do país no conflito com a Rússia.

Economia

Chilli Beans pede recuperação extrajudicial para renegociar R$ 340 milhões em dívidas com bancos

Fachada de uma loja Chilli Beans num shopping, com o letreiro vermelho iluminado, uma pimenta de neon na parede preta, expositores cheios de óculos escuros e vitrines de relógios, e o piso de mármore brilhante na entrada
Revista Empreende | Reprodução

A Chilli Beans entrou oficialmente com um pedido de recuperação extrajudicial. A medida busca renegociar R$ 340 milhões em dívidas com bancos.

O plano prevê R$ 50 milhões em novos recursos, ou seja, dinheiro que entra no caixa da empresa vindo dos credores. Esse valor serve para a rede ter capital de giro e tocar a operação durante a reestruturação.

A renegociação cobre apenas as dívidas com bancos e investidores. Na prática, fornecedores e funcionários ficam de fora. A rede tem cerca de 900 franquias em 14 países.

O estopim. A Vert Securitizadora declarou o vencimento antecipado de uma dívida de R$ 89 milhões, passando a cobrar tudo de uma vez.

Mas por que cobraram de uma vez? A controladora da Chilli Beans deixou de pagar as parcelas de julho e agosto, somando R$ 16,5 milhões. Os credores prorrogaram o vencimento para ajudar a companhia, mas o pagamento não veio.

A companhia não detalhou a origem dos problemas financeiros. Em comunicado, o CEO Caito Maia atribuiu parte das dificuldades ao cenário do varejo brasileiro. A empresa se junta a Ri Happy, Tok&Stok e Casas Bahia, que também entraram com o pedido neste ano.

O que vem a seguir. O plano precisa ser aprovado pelos credores. A Justiça só entra para homologar o acordo, o que torna o processo mais rápido que uma recuperação judicial.

Economia

Venezuela avalia vender estatais ao setor privado ou devolvê-las aos antigos donos, revertendo as nacionalizações de Chávez

Delcy Rodríguez, de óculos e camisa azul, sorri ao falar diante de vários microfones de emissoras de TV e celulares estendidos por jornalistas à sua volta
Sky News | Reprodução

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou que o governo avalia passar bens estatais ao setor privado ou devolvê-los aos antigos proprietários.

Uma comissão, que reúne representantes do Estado e do setor privado, já está levantando quais estatais podem ser vendidas ou devolvidas. O governo ainda não divulgou quais serão os ativos negociados.

A medida pode reverter a onda de nacionalizações de Chávez, que estatizou diversas empresas nos setores de petróleo, mineração e energia elétrica. Entre 1999 e 2013, 1.440 empresas privadas foram expropriadas. O Estado passou de 74 companhias, em 2001, para 526, em 2017.

O movimento pode ajudar as contas do país, que tem uma dívida estimada em cerca de US$ 240 bilhões. O esperado é que sejam repassados ativos estatais não essenciais e infraestrutura, como hotéis e indústrias agrícolas, para movimentar a economia e atrair investimento estrangeiro.

Por outro lado, a desconfiança entre os venezuelanos é grande. Nas redes sociais, muitos reagiram com indignação, lembrando que "o Estado expropriou, quebrou e agora age como se nada tivesse acontecido".

Brasil

1 notícia

Atualizaçãoda edição nº 15, 1 de nov.

Trump diz que não pretende se encontrar com Flávio, diárias em Brasília disparam na posse e Grêmio e Palmeiras vencem na Copa do Brasil

Sem encontro com Trump. Donald Trump disse que não tem planos de se encontrar com Flávio Bolsonaro, que está nos EUA desde a fuga pela Argentina.

Posse inflaciona Brasília. Os preços das diárias em hotéis de Brasília dispararam no período da posse de Lula.

Copa do Brasil. O Grêmio venceu o Atlético-MG nas semifinais da Copa do Brasil, enquanto o Palmeiras derrotou o Vasco.

Mundo

3 notícias

Fazer um Ironman virou moda: provas batem 250 mil inscrições e estreantes com menos de 30 anos mais que dobram desde 2019

Três ciclistas de capacete e roupa de ciclismo pedalam bicicletas de estrada numa rua asfaltada estreita cercada de mata fechada; os dois da frente, um de camisa vermelha e outro de camisa azul-escura com detalhes laranja, olham para a câmera
Humberto Carrão | Reprodução

A moda dos triatletas pegou. A Ironman, que organiza provas de natação, bicicleta e corrida, fechou 2025 com mais de 250 mil inscrições em 148 eventos no mundo.

A prova completa tem 3,8 km de natação, 180 km de bicicleta e 42 km de corrida e pode levar até 17 horas. Mesmo assim, a média de idade dos competidores está caindo.

Entre os iniciantes, o crescimento foi de 10% em um ano. Já os estreantes com menos de 30 anos mais do que dobraram desde 2019. Só na prova completa, a alta foi de 46% em um ano.

Os jovens trocaram a balada por nadar, correr e pedalar. Na América do Norte, a média de idade na prova completa passou de 42,5 para 40 anos.

Por que isso importa? Só Florianópolis, sede de uma das principais provas do país, movimenta mais de R$ 70 milhões na economia local durante o evento. Os profissionais dividem um prêmio anual de US$ 6 milhões.

O hype é global. A França já é o segundo maior mercado de triatlo do continente, com 31% a mais de estrangeiros. Na América Latina, o México responde por quase um quarto dos atletas da região. O Oriente Médio também vai receber sua primeira prova completa, em Omã.

O esporte, antes associado a atletas veteranos, está rejuvenescendo, e as vagas estão cada vez mais disputadas: 32 provas da temporada se esgotaram só neste ano.

Protestos da geração Z na Alemanha terminam em saques, G20 cancela a foto oficial por causa da Rússia e Antonelli é o campeão mais jovem da F1

Alemanha. Os protestos liderados pela geração Z no país terminaram com saques a lojas no sábado.

G20 sem foto. O G20 cancelou a tradicional "foto de família" depois que Austrália, Reino Unido e outros países se recusaram a aparecer ao lado da Rússia.

Fórmula 1. Kimi Antonelli tornou-se o campeão mais jovem da história da F1.

Economia

2 notícias

As notícias de Economia desta edição estão nos Destaques.

Tecnologia

1 notícia

Empresas de IA recrutam padres, pastores e teólogos para ajudar a definir o que os chatbots devem considerar certo ou errado

Ilustração inspirada na Criação de Adão, de Michelangelo: uma mão robótica metálica, com engrenagens e fios à mostra, estende o indicador em direção a uma mão humana, sobre um fundo de afresco rachado com nuvens
Medium | Reprodução

O debate sobre o que é uma inteligência artificial "moralmente boa" saiu dos laboratórios do Vale do Silício e foi parar na teologia: empresas de IA estão recrutando padres, pastores e teólogos para ajudar a definir o que os chatbots devem considerar certo ou errado.

Nos últimos meses, a Anthropic disse ter ouvido líderes e estudiosos de mais de 15 grupos religiosos e interculturais. Representantes de Meta, Google, Amazon e Microsoft também já se reuniram com o Vaticano.

O que está por trás disso? Cada vez mais, as pessoas levam aos chatbots perguntas que antes iam para um amigo, um padre ou um psicólogo. Alguns desses temas, como eutanásia, pensamentos suicidas ou questões morais, não têm resposta de "sim ou não". Para o cofundador da Anthropic Chris Olah, essas não são perguntas que "um laboratório" consiga responder.

É aí que entra a religião. Os chatbots aprendem com textos humanos e, a cada resposta, decidem o que dizer, ou não, sobre luto, culpa, doença e morte, temas de que as tradições religiosas tratam há séculos.

Por outro lado, o Conselho de Supervisão da Meta teme que misturar tudo apague o que há de único em cada tradição ou favoreça religiões ocidentais. A Anthropic diz que o objetivo não é alinhar o modelo a uma tradição específica.

No Brasil, 70% das pessoas já recorreram à IA para questões emocionais, contra 63% da média global.